- Sim, aonde paramos princesa? Tinha algo a nos perguntar?
- Bem senhor Minores eu quero saber se possuem relatórios das audiências que foram realizadas nos últimos seis meses.
- Princesa, é impossível possuir todos estes relatórios... Temos pouquíssimos relatórios para apresentar.
- Bem, apesar de não serem muitos quero ler todos os relatórios senhores.
O regente rechonchudo não estava gostando da atitude de Angel e interveio.
- Princesa, não acha que estes relatórios são preocupação para os atuais governantes?
- Acho senhor...
- Peet, alteza- Completou Minores para ajudar Angel.
- Obrigada senhor Minores, aparentemente somos os únicos com algum respeito à hierarquia deste reino.
Peet se remexeu na cadeira claramente incomodado. Angel notou e cresceu em sí, já havia atingido o regente que estava a afronta-la durante toda a manhã, então prosseguiu confiante.
- Acho que está se esquecendo de quem é que governa este reino. Minha família é a família que deve reinar aqui, eu sou a princesa senhores e espero não ter que repetir estas informações para vocês. Posso ter me omitido durante todo este tempo, mas me cansei. O povo está sofrendo e reclamando por alguma razão e não pretendo descansar até encontrar o problema. Agora... - Angel olhou furiosamente para um servente que estava de pé ao lado de Peet – Me tragam os malditos relatórios.
O servente, intimidado, procurou a aprovação de Peet, este abanou a cabeça discretamente dizendo para que não se movesse, mas logo Minores pigarreou fazendo com que o homem lhe visse e acenou para que o servente trouxesse todos os relatos que estivessem no arquivo. Assim foi feito e tudo foi depositado na frente de Angel, em uma mesa central do grande salão de audiências, eram ao todo 136 cartas de registro enroladas e guardadas em tubos de veludo vermelho. Do lado de fora dos tubos vinha escrito em dourado o nome do requisitante da audiência.
Angel começou a ler em silencio e sem demonstrar qualquer surpresa ou admiração, mas sem demonstrar também reprovação. Por fim ela pediu cortesmente para levar com ela os registros para estuda-los. Peet ficou muito enfurecido e se levantou batendo a mão no braço do suntuoso trono.
- Isto é um absurdo! – Gritou o Lorde conselheiro – Eu me recuso a admitir que uma garota de quatorze anos desconfie dos meus serviços ao reino e ainda mais que se considere digna de inspecionar e criticar meu árduo trabalho.
- Acalme-se Lorde Peet – Pediu Minores – Angel só pretende aprender sobre as suas futuras funções. O senhor concordaria em permitir que a princesa levasse os pergaminhos?
- Não!
Angel já estava cansada das afrontas e irreverencias de Peet, então resolveu tomar uma atitude definitiva.
- Infelizmente Lorde Peet, não existe nenhuma situação real em que eu possa ser proibida de algo pelo senhor, logo, vou me retirar e levarei os registros. Todos os 136, senhores. - disse Angel em tom claramente desafiador. – E tem mais, quero falar com o camponês que veio vê-los agora a pouco.
- Princesa... – Começou o lorde de cara achatada – devo lembra-la que seu pai sabiamente nos designou para este trabalho, certamente não deve se preocupar em fazê-lo e sim em preparar-se para assumir nossas funções dentro de alguns anos.
- Bem, senhor...
- Thiago. – Completou Minores já irritado.
- Eu claramente estou buscando saber mais do dia-a-dia dos seis regentes, logo, não vejo razão para me repreender.
- Princesa, - retomou Minores – se seu desejo é unicamente buscar sabedoria em nossas ações não podemos negar uma breve demonstração de como agir com os visitantes que vem até nós em busca de ajuda. Soldado. – Dois homens parados em frente à porta da enorme sala bateram continência e o lorde prosseguiu - Quero que tragam o jovem que entrou agora nos pedindo por socorro sobre as terras de Sir Jancos.
- Sim eminência! – Os soldados saíram imediatamente para providenciar o homem que o Lorde havia solicitado.
Após a saída dos guardas Angel lançou um olhar vazio e solitário pela janela, era a primeira vez que se afastava da fortaleza e já haviam se passado cerca de duas horas desde sua partida de Gowns, imaginava o que Campell estava fazendo, Angel se lembrava das punições que Campell lhe aplicara durante sua vida na terrível fortaleza, mas percebeu que não se importava, pois Campell sempre estivera lá para ajuda-la e de repente se deu conta de que o homem na Catedral só podia ser ele, todos os trabalhadores eram proibidos de saír das zonas de trabalho, cada um dormia em alojamentos próximos de suas funções e o único que teria acesso à catedral seria Campell, ainda mais no horário em que ele foi, tão tarde que nem mesmo Angel poderia estar acordada, mas com sua rebeldia acabou por ver Campell na catedral, também não tinha ciência de outro homem com mesma estatura e a voz era certamente a de Campell, talvez tenha se confundido, afinal nunca havia escutado palavras tão mansas vindas da boca do Lorde, mas era isso, teria que perguntar se era ele, mesmo que ela passasse semanas cumprindo serviços nos estábulos ou na limpeza ela teria que perguntar, uma grande alegria se apossou de Angel que abriu um sorriso discreto.
Na fortaleza Campell estava em sua sala revisando os relatórios para prestar conta aos conselheiros quando escutou alguém bater apressadamente na porta. Isto o irritava profundamente.
- Pelos céus! Qual é o seu problema?! Entre! – Campell estava irritado, mas ouviria antes de repreender o homem que agora estava a sua frente. – Vamos ver, o que tem para me dizer com tanta urgência?
- Senhor... Lorde – Se corrigiu – Há uma caravana se aproximando, são cerca de cinquenta homens e não sabemos de quem é.
- Não carrega nenhum emblema ou estandarte?
- Nada meu senhor.
Campell torceu o rosto em uma expressão de preocupação, não era Angel e só poderia significar duas coisas, ou Angel fez tudo o que ele dissera, por toda sua vida, para não fazer ou ela estava se saindo bem demais e pressionando os conselheiros ao ponto de lhes perturbar.
- Homem, como se chama?
- Meu nome é Abel lorde.
- Abel, confio em você para reunir todos os soldados da fortaleza nos dois portões principais e todos os homens que saibam lutar nos portões secundários. Você pode fazer isto?
- Sim senhor! – Para Campell estar lhe pedindo aquilo o jovem Abel sabia que a caravana era provavelmente hostil e perigosa, ele não perdeu tempo e saiu correndo desesperadamente rápido pelos corredores da fortaleza para alertar os homens.
Campell se dirigiu calmamente para a entrada principal por onde a caravana deveria chegar e mandou que fossem abertos os portões.
- Mas senhor...- Disse o guarda responsável pelos portões com olhar angustiado.
- Não se preocupe soldado, apenas obedeça. Se ficarem preocupados com o que eu devo sairão da luta facilmente.
- Senhor, o confronto não é inevitável?
- Infelizmente homem.
Os grandes portões começaram a se abrir vagarosamente, quase como se eles mesmos não quisessem ser abertos e uma caravana com cinquenta homens montados pôde ser avistada. Um homem trouxe o cavalo de Campell e o lorde montou, a caravana estava bem próxima agora e o lorde da fortaleza pode identificar o líder da caravana, seu rosto se fechou em uma expressão belicosa. A caravana se aproximou até cerca de dez metros dos grandiosos portões e parou, o líder deu alguns passos à frente com seu belo corcel e falou em bom som:
- Olá Campell! Vejo que continua envelhecendo preso à este pedaço de solo morto de nosso reino.
- Eu não fugi de meus deveres Sir Angus – Disse Campell – Mas fui agraciado com a oportunidade de ensinar à nossa princesa tudo o que hoje ela sabe! E pela sua visita inesperada posso ver que ensinei-a bem.
- Infelizmente Campell, sua pequena pupila não está agradando os Lordes Conselheiros, seria melhor que ela fosse menos afiada.
- Não vejo vantagem em possuir uma governante menos capacitada do que poderia ser.
- Cuidado Campell! Você e sua pupila estão brincando com gente poderosa, eles estão desagradados e não sei se Growns seguirá de pé se continuar assim.
- Isto foi uma ameaça Angus? – Campell praticamente rosnara a frase, não admitiria qualquer ameaça à segurança de Angel ou a Growns. Os soldados estavam entrando em desespero apenas por sentir o clima que crescia entre os dois lideres.
- É um aviso Campell. Oriente Angel a ficar fora dos deveres de meus senhores.
- É uma aviso Angus, mantenha-se você fora dos assuntos da princesa. E ponha-se em seu lugar. Sou um Lorde e não lhe cedi a graça de chamar-me pelo nome! Leve o mesmo ensinamento para seus senhores. Os habitantes do palácio obviamente se esqueceram de suas posições!
- Cuidado Lorde Campell. A estrada de retorno para Growns pode ser muito perigosa... e não deve demorar muito para que a princesa retome seu rumo. Seria lamentável se Angel saísse do palácio e fosse atacada por uma caravana de cinquenta homens. Sua pequena escolta certamente seria dizimada.
Campell adoraria matar Angus, aquele lixo insolente, exatamente naquele momento, mas não poderia ataca-lo a menos que Angus iniciasse o ataque. Campell virou as costas para Angus e se afastou dos portões ainda montado.
- Fechem os portões! - Ordenou Campell.
- Sua irreverencia recairá sobre a princesa Lorde Campell! – Gritou Angus.
Após o fechamento dos enormes portões Campell reuniu um grupo de dez de seus melhores homens e disparou para fora da fortaleza pelos portões secundários, contornando a caravana de Angus, sempre mantendo distância e ultrapassando-os. Campell tinha que encontrar Angel antes que Angus a encontrasse, apenas assim ela estaria segura.
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Esse capitulo foi mais curto, mas foi um o mais emocionante até agora né gente? Bom, na próxima quarta-feira saberemos se Campell alcançará Angel a tempo ou se as caravanas dos Lordes conselheiros vão alcançá-la antes. O que acontecerá com a princesa?