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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Princesa de Lugar Nenhum - II


Durante o resto do dia Angel ficou sentada debaixo de uma árvore refletindo sobre o que fazer com o irmão de Carllos, ele havia proferido muitas injúrias sobre os conselheiros, sem saber o que fazer, resolveu procurar Lorde Campell. Angel percorreu os enormes corredores escuros da fortaleza até se deparar com uma porta de madeira e bater.


- Entre. – Era a voz de Campell, Angel entrou e cumprimentou.


- Lorde...- disse Angel sem saber como fazer a pergunta.


- Sim?


- O que se deve fazer quando alguém te fala sobre coisas horríveis sobre pessoas muito honradas?


- Que tipo de coisas? – Os verdes olhos de Campell agora estudavam cada reação de Angel, era claro que o assunto lhe havia chamado atenção.


- Bem, me disseram que o reino passa por grandes dificuldades... e que os regentes se recusam a receber os cidadãos para ajuda-los.


- Bem, esta é uma pergunta difícil. Sabe Angel, não é segredo que o reino passa por dificuldades, mas não creio que os regentes estejam negando ajuda a ninguém.


- Senhor Campell...


- Olhe como fala, sou Lorde Campell.


Angel se sentiu magoada com a represália, afinal, era ela quem era a princesa, o reino era dela.


- Senhor Campell, sou a princesa deste reino, já que tenho aberto mão de tantos dos meus direitos, creio não ser nenhum abuso chama-lo desta forma. – Angel sabia que estava entrando em terreno perigoso, mas estava começando a se cansar, após anos de verdadeiras humilhações e maus tratos, de ser tratada como uma idiota. Campell por sua vez torceu um pouco o rosto em uma breve carranca e pareceu pensar sobre o assunto.


- Sabe, princesa, acredito que só haja uma forma de saber se os conselheiros de seu falecido pai estão fazendo um bom trabalho, porque não pergunta a eles pessoalmente? – Campell obviamente acreditava que estava na hora de Angel aprender um pouco sobre politica e não era ele quem lhe ensinaria, esta matéria ele pretendia que Angel descobrisse por si só.


- Mas senhor Campell, acha que eles se sentirão afrontados? Não iriam pensar mal de mim?


- Não foi você que acabou de dar seu grito de liberdade? Se acha que está pronta para assumir seus direitos e o reino deve se comportar de forma adequada, eu lhe ensinei, basta usar. Se está pronta para assumir, bem, ninguém pode impedi-la, vá até os conselheiros e mostre que está preparada.


               Angel sentiu um frio surgir e subir por sua espinha, era um momento decisivo, se ela pedisse para ver os conselheiros eles obviamente a receberiam, mas como agiriam diante de sua presença, o maior temor da menina talvez fosse descobrir novas verdades, mas não havia outro modo, Campell sempre a ensinara muito sobre justiça e dever, ela não fugiria agora.


- Ótimo Lorde Campell, avise os conselheiros que quero vê-los.


               Campell sabia que era arriscado até para ele requisitar uma reunião com os seis conselheiros, mas o faria, estava na hora de sua pequena pupila aprender sobre o mundo confuso e perigoso da politica, o Lorde sabia o que fazia, era frio e calculista, mas realmente não sabia o que esperar da reunião que estava prestes a requisitar.


- Amanhã teremos a resposta da carta que enviarei ainda esta noite princesa, também providenciarei vestimentas adequadas. Agora durma e trate de descansar sua mente e seu corpo, estas audiências podem ser muito desgastantes.


               Angel estava exausta, o dia foi cansativo, cheio de surpresas e no fim conseguiu que Campell lhe arrumasse um encontro com os seis conselheiros, eram muitas preocupações e ela estava ansiosa, mas teria que dormir, não poderia ir visitar a grande catedral naquela noite. No dia seguinte Angel acordou bem antes do nascer do sol com alguém batendo a sua porta, ela se sentou na cama.


- Entre. – A porta se abriu e logo entraram duas moças, uma era de sua idade e a outra era cerca de um ano mais velha. – O que desejam?


- Lorde Campell nos ordenou que ajudássemos a se preparar para seu compromisso, sua cavalaria parte em duas horas princesa.


               Angel ficou estupefata, não tinha ideia de o que aquelas meninas faziam em seu quarto, mas para não fazer feio ordenou suavemente:


- Então comecem.


               As duas levaram Angel até um quarto próximo ao seu e lá a banharam, usaram água, sabão e muitos óleos de banho, várias especiarias das quais Angel nunca tinha ouvido falar, mas fingiu já saber tudo sobre tudo, após o banho Angel foi coberta com toalhas e levada até uma porta dentro do quarto de banho onde a secaram e perfumaram, a vestiram com um longo vestido negro e azul e a calçaram com sapatos confortáveis, se comparados às suas botas de treino, após a vestirem com todas as roupas e armações Angel foi levada para seu quarto, onde sentou-se e aguardou que as moças lhe penteassem, as moças puxaram os longos cabelos de Angel até os prender em um grande e espalhafatoso coque que lhe fazia doer a cabeça.


- Pronto princesa. Podemos ajudar com alguma outra coisa?


- Não, estou bem. Obrigada, já podem ir.


               Angel permaneceu sentada de frente para a penteadeira, imóvel, até que as meninas saíssem, assim que elas saíram Angel começou a desfazer o terrivelmente pesado coque, após terminar se levantou e pensou em ir até a catedral, mas àquela hora era muito arriscado. Angel foi caminhando rapidamente até a sala de Campell e ao chegar bateu.


- Entre. – A voz do lorde veio calma de dentro da sala.


               Angel entrou e aguardou um convite para sentar-se, mas ele não veio, ela permaneceu de pé enquanto o lorde a estudava. Logo ele começou a falar.


- A que devo a honra de sua visita princesa?


- Lorde Campell, estou pronta para ir de encontro aos regentes, me disseram que devo partir em meia hora a contar de agora.


- E em que posso ajudar?


- Creio que vá me fazer companhia nesta breve jornada.


- Receio que não pequena, terei que ficar e administrar os afazeres dos camponeses.


               Angel entrou em pânico, mas não deixou transparecer, fez uma breve mesura e se despediu educadamente. Ao sair da sala de Campell Angel começou a se dirigir para os imensos portões quando ouviu Campell chama-la, ela parou onde estava e se virou, aguardando pelo lorde.


- Princesa, estava se esquecendo de sua coroa.


               Angel ficou muito surpresa, nunca havia imaginado, apesar de saber de sua posição de princesa, que usaria uma coroa algum dia, e este dia tinha acabado de chegar. Ela curvou a cabeça e Campell depositou a bela armação em ouro nos negros cabelos de Angel. Os dois se olharam por um momento e Angel pareceu identificar ternura nos olho de Campell, mas ela nunca saberia ao certo.


- Até logo Campell, não demorarei.


- Adeus pequena Angel.


               Campell se afastou dando um passo para trás e assistiu sua jovem pupila subir na carruagem e partir. A carruagem percorreu uma estrada de terra, estava um dia quente e Angel não via o momento de descer da horrível carruagem e tirar toda aquela roupa pesada. Após cerca de uma hora de viajem a pequena escolta de Angel parou em frente a reluzentes portões e a porta da carruagem se abriu deixando entrar uma refrescante brisa.


- Chegamos princesa, seja bem vinda ao palácio de Liberty. O Coronel Drew a acompanhará até os regentes. - Disse um dos superiores que acompanhavam Angel.


- É uma enorme honra majestade. – Proferindo estas palavras o coronel se curvou e aguardou um breve aceno de cabeça para voltar a erguer-se.


- Estou lisonjeada coronel, por favor, leve-me aos regentes.


- Creio que seja apropriado que antes conheçamos o vosso palácio alteza.


- Creio que seja muito deselegante atrasar-me coronel, agradeço sua tentadora oferta, mas prefiro ir diretamente até os regentes que, imagino eu, já me aguardam à pouco mais que um quarto de hora.


- Certamente minha princesa.


               O coronel endireitou a postura e colocou-se em posição de marcha, assim fizeram também os vários guardas que se enfileiravam paralelamente no decorrer do caminho. Logo Angel e sua nova escolta desapareceram nos enormes corredores do enorme palácio. Não demorou muito e estavam de frente com uma gigantesca porta onde Angel deveria encontrar os seis regentes, ao se abrirem as portas puderam ser avistados seis magníficos tronos posicionados de modo a formarem uma espécie de meia lua, o piso era de mármore e as paredes ornamentadas com suntuosos candelabros, assim como todo o palácio tudo naquela sala era obviamente caro e de muito bom gosto.
                A pequena princesa, que estava acostumada a terrível fortaleza estava encantada, mas todo o encanto se foi ao notar que os tronos maravilhosos, estavam vazios. Angel se voltou para o coronel controlando sua fúria.


- Coronel, onde estão os regentes de meu reino?


- Princesa, não se preocupe, não demoram mais a chegar.


               Angel aguardou por quase uma hora sentada em uma belíssima cadeira que lhe foi cedida, então uma porta não tão grande quanto as outras se abriu no fim da sala, por trás dos tronos e de lá saíram três figuras, o primeiro era magro e muito alto, vestia-se de forma elegante e sentou-se de forma majestosa no primeiro trono da esquerda para a direita, o segundo era baixo e tinha uma cara estranha que parecia ter sido achatada para dentro de sua cabeça e o terceiro era de estatura mediana e muito gordo, todos se sentaram ocupando os três primeiros tronos. Se acomodaram e então o regente rechonchudo começou a falar:


- Bom dia princesa, a que devemos a honra de sua visita?


               Angel se sentia extremamente afrontada, onde estavam os outros três regentes? Como não poderiam os que lá se apresentaram dignos de fazer-lhe uma breve apresentação?


- Péssimo dia senhores, e pelo que vejo não só para mim, onde estão os outros três regentes?


- Oh!- começou o regente de cara achatada – Esperava encontra-nos os três? Lamento princesa, mas não pudemos nos reunir todos.


- Bem, e porque não? Se lorde Campell deixou claro que pretendia ver os “seis” regentes e não alguns regentes?


- Bem majestade – Começou o regente magro e alto – meu nome é Lance Minores, permita-me apresentar. É um enorme prazer recebe-la após tantos anos de afastamento.


- Muito prazer senhor Minores.


- Minha princesa, não pudemos nos reunir todos hoje, pois os outros três regentes estão descansando, com idade já avançada não possuem a minha ou a sua disposição e tiveram que repousar esta manhã. Mas garanto que poderemos sanar qualquer dúvida de vossa alteza.


               O regente Minores mal terminara de falar quando entrou um guarda correndo pela porta e se posicionou ao lado de Angel.


- Pelos céus! O que faz aqui desta maneira? Quem é você?


- Senhor, não sou um guarda... lamento muitíssimo, mas precisei entrar de alguma forma – logo alguns guardas do palácio começaram a entrar pela enorme porta atrás de Angel – Vim pedir por socorro eminencias! Sou trabalhador das terras de Sir Jancos e não pude pagar meu último mês de ocupação...


               O inusitado soldado logo foi rendido e começou a ser arrastado para fora da sala com sua boca tampada pelos guardas reais. O regente de cara achatada se virou para o rapaz dizendo:


- Se não pagou a sua parcela mensal pela terra de Sir Jancos não há nada que possamos fazer.


- Esperem senhores! – Angel se levantou rapidamente observando atônita a cena – Não terminaram de ouvi-lo!


- Estamos em uma sessão solene minha princesa, não temos tempo para estes plebeus no momento, mais tarde, após sua partida avaliaremos com cuidado a situação do pobre camponês.


               Angel sentou-se e assistiu o rapaz ser levado de forma não amigável, mas também não estavam sendo brutos, a menina só gostaria de saber o que aconteceria com aquele jovem.
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Bem, no próximo capitulo Angel irá confrontar os regentes e os regentes não vão gostar, ao retornar para a fortaleza Angel irá buscar soluções na sabedoria de seu mestre, mas Campell poderá ajudá-la? Leiam!! Espero que gostem.

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