Campell levou os cavalos ao limite, os animais eram mal cuidados, uma vez que Growns era um peso morto para o reino, o lorde tinha suas duvidas de que os animais poderiam resistir até o fim da viagem.
Angel estava dentro da carruagem e estava ansiosa para chegar a Growns e encontrar Campell, ela tinha que perguntar a ele se era ele o homem na igreja. O soldado que guiava a pequena escolta de Angel avistou uma nuvem de poeira se levantar no horizonte e avisou os colegas. Angel notou uma certa agitação, mas as terras eram seguras e os soldados podiam muito bem se entender com uns poucos saqueadores que surgissem, então não deu muita importância. A nuvem foi crescendo e os soldados ficaram apreensivos, se fosse hostil era claro que não poderiam conter tal ameaça.
A caravana alcançou a escolta de Angel e fizeram um cerco, os soldados sacaram suas armas, Angel ouviu todo o barulho e sacou uma pequena faca da manga de seu vestido. Do lado de fora os soldados já haviam começado a travar suas batalhas, os desafiantes tinham seus rostos cobertos e não possuíam nenhuma identificação, nada marcante ou que a escolta conhecesse. Dois homens abriram a porta da carruagem pelo lado direito e um soldado de Angel puxou-a por uma abertura que a carruagem tinha para que ela pudesse se comunicar com o cocheiro.
- Por favor minha princesa, fuja! – Implorou o homem.
- Não posso deixa-los! – Respondeu Angel. – Não posso ir e abandoná-los para a morte quase certa.
Os soldados protegiam com suas vidas o local onde Angel estava e dois homens maiores, que faziam parte da escolta de Angel, começaram a abrir caminho por entre os inimigos que os cercavam para que Angel pudesse passar. Angel começou a correr, a roupa era terrivelmente pesada, pior até mesmo que sua armadura. Os homens que iam a sua frente eram atacados impiedosamente e os soldados cercavam suas costas para que ela tivesse chances, quando Angel estava quase saindo da multidão alguns homens do pequeno exército inimigo fecharam a passagem firmemente e golpearam cruelmente seus protetores, que abriam caminho, fazendo-os tombar diante dos seus olhos.
- NÃO! – Gritou Angel com os olhos cheios de lágrimas.
Ver os dois membros mais fortes do grupo serem abatidos lançou por terra todas as esperanças da escolta da princesa. Todos pararam de lutar e houve um silencio total por alguns minutos. Então o que parecia ser o líder dos agressores surgiu sobre um enorme cavalo negro.
- Olá princesa, parece que está tendo alguns problemas. Tenho certeza de que não me conhece... – Antes que pudesse terminar de falar, Angel o interrompeu.
- Está muito enganado senhor, serves ao conselheiro Peet, notei que acompanhou o lorde conselheiro até o trono e se retirou, mas tenho uma memoria muito boa.
O líder estava embasbacado, como ela sabia que era ele era a única coisa que podia pensar, ela o vira uma só vez por menos e um minuto e a distancia considerável, agora o reconhecia com metade do rosto coberto. O homem montado descobriu o rosto e sorriu sarcasticamente.
- Bem, sou eu mesmo, meu nome é Angus Algorn e sou servo de confiança de lorde Peet. Como me identificou?
- Se eu lhe responder vai libertar meus homens?
- Liberto um homem.
- Todos.
Angus torceu a cara e acenou para um de seus homens que imediatamente chutou as pernas de Angel fazendo com que a princesa se ajoelhasse diante do cavalo de Angus.
- Que tal assim, se você me contar eu não te mato agora, se não contar, faço um simples gesto e seus belos cabelos rolam pela terra junto a esse lindo rostinho.
Angel estava furiosa, mas não demonstrou, ela olhou fundo nos olhos de Angus e viu que não era um blefe, logo, o objetivo do homem só poderia ser mata-la, alguém lhe ordenara, do contrário não haveria razão para brincar com a vida dela de forma tão perigosa.
- Não vou satisfazer sua curiosidade. – Disse Angel.
- Vou arrancar sua cabeça de cima desses ombrinhos mirrados sua fedelha.
- Faça melhor, senhor Angus, pois em seu lugar não deixarei que parta tão facilmente do sofrimento.
- Fala como se isso algum dia fosse acontecer. – Riu-se Angus.
Campell corria desesperadamente, sabia que Angus já havia alcançado Angel e que a esta altura ela estava morta provavelmente, mas já podia avistar a caravana de Angus e via uma distante Angel ajoelhada de frente para o desgraçado que a havia ameaçado algum tempo atrás.
Angel podia avistar a poeira se levantar no horizonte, não sabia se eram aliados ou mais inimigos, mas sabia que algo tinha que ser feito. Campell não lhe perdoaria se morresse sem lutar após todos os anos que passara dedicando-se à ela. Angus acenou brevemente com a mão direita e o homem que a colocara de joelhos ergueu sua enorme espada, a garota firmou o pé direito e, com o pé esquerdo, fez um movimento rápido e certeiro que derrubou o homem no chão, respirou fundo e cravou a faca, que levava na manga, no peito do soldado inimigo.
Angel pegou a espada do homem e ficou de pé, pronta para lutar, mas ela parecia assustada, a verdade é que estava chocada, nunca havia matado um homem e assistir os últimos momentos de um semelhante havia mexido com a pequena. Angus sentia que Angel estava completamente desnorteada e não perderia a oportunidade, sacou sua espada e a ergueu.
- PARE! – Uma voz gritou atrás de Angus. Era Campell que chegava correndo com o resto de seus soldados. Angus admirava a cena como se fosse algo impossível, estava incrédulo.
- Como chegou até aqui Campell?!
- Vim correndo com meu exército. – Brincou Campell que arfava, assim como seus homens. – É sempre bom trabalhar o preparo físico antes de uma batalha, seja ela um desafio, seja uma simples batalha com Sir Angus. – Os homens de Campell riram com ele.
- Fale sério! Aonde estão seus cavalos?
- Estavam muito ocupados para perder tempo alcançando os seus, coisa que posso fazer a pé com meus homens. – Angel observava a cena segurando uma grande gargalhada que queria vir de seu coração, não era apenas das graças de Campell que Angel queria rir, ela estava muito feliz, o lorde parecia uma miragem, era sua salvação, com ele presente Angel sabia que nada lhe aconteceria, mas ela ainda era apenas uma menina. Campell sabia que estava às portas da morte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Olá! Que bom que está visitando o blog, espero que esteja gostando!