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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Princesa de Lugar Nenhum - V


- Campell, está brincando com fogo! – Angus esbravejava, a verdade é que Angus tinha certeza de que chegar lá seria impossível sem cavalos e lá estava Campell, chegara correndo como um louco e não havia sinal algum de animais até aonde suas vistas podiam alcançar, também não era do feitio de Campell ceder a vantagem e, em uma batalha em que seus inimigos estão a cavalo, ir a pé seria um suicídio. Será que Campell realmente o considerava um alvo tão fácil ao ponto de deixar seus cavalos para trás no intuito de poupar os animais? A fortaleza possuía poucos recursos e tudo que puder ser poupado deverá ser. Era isso, Angus tinha certeza e estava apreensivo, Campell estava confiante demais.

               Campell estendeu a mão na direção de Angel e a pequena compreendeu, ela correu na direção de seu usual carrasco e afundou o rosto em seu peito, neste momento Campell sentiu-se muito mal por ter deixado que Angel fosse sozinha, ela não sabia, nem deveria, mas para o lorde ela era como uma filha. Angus claramente não compreendia a fúria de Campell, ele o mataria sem piscar.

- Angus! – gritou Lorde Campell assustando Angel com o tom de voz utilizado, ela jamais havia visto o lorde daquela forma.

- Diga, Campell. Quer ir e levar sua princesa?

- Quero ir e levar comigo o peso de sua alma.

- Vamos Campell, nós dois sabemos que está em grande desvantagem.

               Campell apertou a mão no cabo de sua espada e pediu que Angel se afastasse, a garota fez o que seu protetor lhe pedira e o lorde não perdeu tempo, avançou na direção de Angus e acabou por ferir o cavalo do homem miserável que se atrevia a ameaçar sua princesa, este caiu por terra e o cavalo, assustado e ferido, pisoteou sua perna esquerda. Sir Angus não poderia mais lutar por si só e seus homens partiram para a batalha, todos estavam à cavalo, os homens de Campell não teriam chances, Lorde Campell ergueu a espada entre toda a correria e golpeou a perna de um soldado inimigo que, desnorteado com a dor, soltou as rédeas para apertar a ferida. O homem foi puxado de cima do animal fácil como Campell subiu e saiu correndo montado, em busca de Angel.

               Campell já havia matado vários homens, a escolta de Angel já era composta por apenas três homens e o Lorde, mas não se podia ver Angel em lugar algum. A princesa estava desesperada poucos momentos atrás, haviam vários motivos para esperar pelo pior, atordoada como estava, Angel estava com sua capacidade notavelmente reduzida, obviamente, não poderia lutar. Campell começava a perder suas esperanças, mas manteve o foco, tinha de encontra-la e mataria tantos homens quanto fossem necessários para isto.

               Ao fim de toda a batalha sobraram vinte inimigos feridos e cansados, Campell e seus dois homens restantes estavam exaustos, ele não sabia se poderiam lutar mais, mas para sua sorte, dos homens restantes, vários estavam muito feridos e decidiram retornar para o palácio. Angus foi deixado para trás e rezava para que o Lorde se esquecesse dele.

               Campell e os dois soldados reviravam os corpos desesperadamente, em busca da princesa, estavam cansados e se sentaram na areia quente para descansar, uma lágrima desceu do rosto de um dos soldados.

- Lorde, acha que encontraremos a princesa? – Perguntou o homem.

- Claro que sim! – Retrucou o outro.

- Infelizmente, não tenho certeza de nada, nunca estive nesta situação.-  Campell estava pensativo – Normalmente eu encerraria a missão, voltaria para o reino e diria simplesmente que falhei, mas isto não é normal para mim, nunca havia falhado desta forma. Significaria perder a coisa mais preciosa que existe na terra. Não posso falhar.

               Os soldados estavam preocupados, nunca haviam visto Campell daquela forma, ele sempre foi severo e insensível, ninguém na fortaleza jamais se atrevera sequer a dirigir-lhe a palavra sem uma boa razão. Agora aquele homem estava diante deles observando as nuvens se moverem, com um olhar vazio.

- Sabem, eu me lembro de quando ela era pequena e não queria dormir no escuro, por razões estupidas, histórias que as cozinheiras lhe contavam. Eu a trancava no quarto até que ela dormisse e ficava na porta esperando que ela parasse de chorar, só sabendo que ela estava dormindo eu poderia ir me deitar. Me lembro do choro dela até hoje, quase posso ouvi-lo... – Campell interrompeu a frase por um momento e fez uma expressão confusa. – Esperem. Eu estou ouvindo! É Angel, ela está chorando em algum lugar por aqui! Mexam-se! Procurem rápido! Ela precisa de nós!

                Campell e os soldados começaram a afastar os corpos de soldados inimigos, mas não puderam vê-la, o lorde pediu silêncio e começou a seguir o som da voz de Angel, parou ao lado do corpo de um cavalo e avistou um homem com uma adaga fincada no peito, afastou o corpo e pode ver a princesa, coberta de sangue, encolhida próxima a barriga do animal e chorando, ela chorava muito, como uma criança. Os soldados comemoravam quando Campell lançou-lhes um olhar furioso de reprovação, logo eles ficaram de pé, em posição de sentido.

- Angel? – Chamou Campell, cuidadosamente.

               Angel ergueu os olhos e pode ver Campell, mas não se moveu, apenas sussurrou algo que ele não pode ouvir.

- Não pude te escutar Angel, fale mais alto.  – Campell já havia voltado à si  e estava sendo um pouco rígido. – Vou chegar mais perto e você vai falar direito, certo? – Angel abanou a cabeça dizendo que sim.

- Eu matei um homem...- Foi o que Angel disse chorando, Campell estava perplexo, ele havia se lembrado do valor de uma vida, ele havia se esquecido, faziam anos que ele se esquecera de alguns valores.

- Está tudo bem Angel, vamos, fique de pé e vamos retornar, não há muito tempo antes de anoitecer e só temos um cavalo.

               Angel acenava que sim com a cabeça enquanto Campell a ajudava a ficar de pé, ele permitiu que Angel montasse e foi caminhando ao lado do cavalo, guiando-o. Os soldados ficaram calados durante toda a viagem, apenas trocando olhares, eles não sabiam o que esperar agora, Campell comprara uma briga feia com os conselheiros e eles não queriam isto, mas nunca admitiriam que a princesa se machucasse. Teriam que lutar.

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